Ano XII - nº 36  |   novembro 2020   |   ISSN 1983-2354
» ARTIGOS

A poética na pele negra em Conceição Evaristo e Elisa Lucinda

Pesquisadoras analisam a construção histórica do negro na literatura brasileira através das obras, perpassando pelas questões de construção identitária e de representação enquanto ser individual e coletivo e como essas construções influenciam na escrita. Leia Mais »

Alice Walker: escrevivência, narrativa pós-colonial e feminismo negro

O presente estudo visa fazer uma análise sobre a narrativa de resistência de Alice Walker comparando com a perspectiva escrevivente de Conceição Evaristo, visto que é possível um diálogo entre as duas. As respectivas autoras são representantes de um espaço contra-hegemônico na proporção que questionam as estruturas fundamentadas no racismo e sexismo da literatura ocidental. Assim, utilizando-se do estudo feminista negro e da tradição africana, Walker desconstrói a perspectiva dominante e traz para o campo da literatura experiências de vozes que foram silenciadas. Leia Mais »

Práticas de letramento Griô: contação de histórias e antirracismo

Pesquisadoras discutem o conceito de letramento griô, tomando como ponto de partida as práticas empreendidas pelo grupo Ujima, que atua na cidade do Rio de Janeiro e reúne contadores formados pelo Curso de Contação de Histórias de Inspiração Griô e Literatura Infantojuvenil Negra. O artigo parte da definição de griô, guardiões de saberes ancestrais preservados e transmitidos pela oralidade. A discussão aponta o letramento. Leia Mais »

Rede de textos sobre o racismo: só 80 tiros?

O presente artigo objetiva analisar a rede de textos criada em torno do caso “80 tiros”, envolvendo o ataque ao carro de um músico negro por militares do Estado, na periferia do Rio de Janeiro, em abril de 2019. O corpus analisado é composto por uma notícia retirada da versão digital do jornal O Globo e por uma música retirada da plataforma YouTube sobre o episódio “80 tiros”. Os resultados demonstraram a predominância de um discurso essencialista e hegemônico sobre raça e, em contrapartida, percebeu-se um discurso antirracista, político e social, constitutivo de um contexto sócio-histórico circundado por relações dialógicas variadas, envolvendo uma rede de textos, e mediado pela resistência contra o racismo que contesta todo tipo de preconceito e discriminação. Leia Mais »

Breves considerações sobre a formação da literatura angolana: do pré ao pós-colonial

Artigo de pesquisadores da UFRB traz um panorama das literaturas angolanas e mostra como o colonialismo influenciou diretamente na construção literária desta nação durante o século XIX até os dias atuais. Aborda a produção literária durante a fase colonial, a fase de guerrilha e a fase pós-independência, buscando mostrar a relação existente entre o que se entende por literatura e o que se entende por sociedade. Leia Mais »

Construções identitárias: Moçambique e Portugal em “A Costa dos Murmúrios”

O artigo objetiva discutir a experiência da guerra colonial moçambicana sob o olhar do romance de literatura portuguesa com temática africana A costa dos murmúrios da escritora portuguesa Lídia Jorge. A reflexão se baseia nos estudos da área de Literatura Comparada ao relacionar a geração do pós modernismo da Literatura Portuguesa que aborda a questão colonial, descolonização e pós-colonização, por meio de novas formas estruturais da narrativa, com os estudos culturais que problematiza o mito do império português, e do conceito de uma prospecção de uma identidade nacional para Moçambique pós-independência. Leia Mais »

O processo histórico da literatura cabo-verdiana: a formação de uma identidade nacional

Artigo traz uma revisão de literatura, de forma a sintetizar o processo histórico da literatura caboverdiana, evidenciando a formação e desejo de uma identidade nacional. Apresentar-se-á, portanto, as fases que vão desde a literatura influenciada pela estética romântica portuguesa, passando pela fase literária com forte contribuição dos movimentos socialistas; a fase dos claridosos, que constituem um processo onde os caboverdianos começam a instaurar uma literatura de ‘fundação’; a fase pós-claridosa, que expõe uma face mais realista frente ao regionalismo da fase anterior; até a fase contemporânea, que já apresenta uma diversidade nos temas tratados, colocando luz sobre assuntos que abordam as questões de gênero, sexualidade, costumes, por exemplo. Leia Mais »

Contos e sonhos na literatura moçambicana: diálogos iniciais sobre educação e cultura na obra de Mia Couto

O texto pretende analisar traços da questão educacional, escolar e não-escolar, na relação com a cultura, tradição e ancestralidade, na obra coutiana. Especificamente, trata-se de entender os aspectos da leitura contada e a escrita em cadernos que remontam elementos da cultura, em Moçambique, no pós-independência, com base especialmente na obra Terra Sonâmbula (2007), do escritor moçambicano Mia Couto. A partir de uma perspectiva qualitativa de cunho bibliográfico, o pesquisador traz um diálogo e uma análise multidimensional - na história, na cultura, em outras literaturas, na educação – do romance. Leia Mais »

Narrativas africanas: uma tentativa de resgate do nacionalismo

Este artigo analisa as narrativas africanas Pranto de coqueiro, contos do livro Estórias Abensonhadas (1994), de Mia Couto, e Maio, mês de Maria (1997), romance de Boaventura Cardoso, a partir de abordagens pós-coloniais, enfatizando a visão e o papel do sagrado nas culturas dos países africanos, a valorização e o respeito pelos elementos da natureza, e os traços da tradição oral, outrora apagada pelo colonizador, ainda presentes na era moderna. Leia Mais »

As religiões tradicionais africanas e as literaturas africanas

Artigo discute a ideia de “religião tradicional africana”, bem como sua forma de representação nas literaturas africanas, tanto numa perspectiva estética, através do realismo animista, quanto do construto etnológico psicossocial do pensamento animista. A discussão parte de um aporte bibliográfico sobre o tema, perpassando as Ciências Sociais e da Religião, Antropologia, História e, por fim, a Literatura. Leia Mais »

O embranquecimento e a democracia racial produzindo subjetividades no Brasil

Estudo aborda a produção de subjetividades da população brasileira e o racismo enquanto fabricação sócio-histórica, destacando a ideologia do branqueamento e o mito da democracia racial como fatores indispensáveis para a manutenção de um racismo perverso, alienação e dissociação dos movimentos de resistência. Leia Mais »

Identidade da mulher negra africana na personagem Akunna, de Chimamanda

Artigo fomenta a reflexão acerca da representação da construção da mulher negra inserida em um contexto de deslocamento. Discute a maneira como a movimentação e a ambivalência provenientes da diáspora influenciam nas negociações identitárias. Leia Mais »

Mar me quer: da prosa à dramaturgia de Mia Couto

Estudo traz uma análise descritiva, sobre o processo de tradução intersemiótica da novela Mar me quer, escrita por Mia Couto em 1998, para o texto teatral literário, escrito pelo próprio autor e pela dramaturga Natália Luiza, em 2002. Para tal, o personagem Avô Celestiano, presença quase mítica nas duas variantes, será a base para estabelecer uma análise comparativa entre essas linguagens literárias. Leia Mais »

Fradique em dois tempos: d´“A corresponndência de Fradique Mendes” (século XIX) à “Nação Crioula” (século XX)

Artigo traz uma leitura da personagem Carlos Fradique Mendes, criado por Eça de Queiróz, no século XIX na obra “A Correspondência de Fradique Mendes” (1900), a partir da sua “revivência”, no romance “Nação Crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes” (1997), de José Eduardo Agualusa, tomando, para este último, o viés teórico das leituras do pós-colonialismo. Leia Mais »

O contexto da diáspora na construção da identidade: um estudo sobre a personagem Marianinho no romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto

A história moçambicana suscita a ruralidade e a urbanidade como espaços que são imbricados pela realidade da personagem ora estudada, o que abre um horizonte para a compreensão da construção da identidade que é vista como uma abordagem social e histórica, dialogando com o espaço literário e o tempo da narrativa para delinear essa formação identitária. Leia Mais »

Apontamentos sobre a toponímia das comunidades quilombolas da região Centro-Oeste

Pesquisa analisa topônimos que nomeiam comunidades quilombolas situadas na região Centro-Oeste. O corpus reuniu 123 topônimos, assim distribuídos: Mato Grosso (70); Goiás (32); Mato Grosso do Sul (21). O estudo teve como objetivo mais amplo examinar em que proporção os nomes oficiais atribuídos às comunidades valorizam línguas e culturas africanas e, por extensão, identificar as línguas de origem dos topônimos. Leia Mais »

Conceição Evaristo: escrevivências e reexistências que ecoam vozes com potência

Pesquisadoras refletem sobre o fazer das mulheres negras e o eco de suas vozes. Através de trajetórias de dores e gozos, fazemos um passeio pelo movimento de corpos negros e suas formas de resistências. Ancoradas nas obras Becos da Memória, Olhos d'água e Insubmissas lágrimas de Mulheres, de Conceição Evaristo, revisitamos as dores de mulheres comuns que, como ela, revisitam seu passado através de sua obra. Leia Mais »

Madalena e uma mulher inominada: uma análise das personagens emparedadas

Este estudo tem como objetivo analisar o emparedamento social vivido por Madalena, em São Bernardo, de Graciliano Ramos e por uma personagem inominada no conto Os Olhos dos Mortos, de Mia Couto. Identificamos, na produção de dois grandes escritores da literatura brasileira e africana, respectivamente, práticas de dominação que levaram suas companheiras à perda da liberdade e da identidade. Ambientadas em contextos social e culturalmente diferenciados, as personagens mantêm em comum o ambiente patriarcal e o autoritarismo brutal dos seus companheiros no espaço íntimo do lar. Leia Mais »

Identidade nacional: o papel do Kriol na formação da identidade bissau-guineense

A Guiné-Bissau é um país com um mosaico étnico diversificado e multilíngue com mais de 27 grupos étnicos muito heterogéneos com as suas línguas e culturas diferentes cuja língua Kriol se dialogam. Língua da unidade nacional e “sem uma normatização oficial” no país, ela surgiu através da relação do português com as línguas autóctones africanas e hoje, é a língua materna dos (as) jovens sobretudo os (as) da capital Bissau. Leia Mais »

Memórias de infância: experiências de vida afrodescendente em bairros negros de Fortaleza-CE

“Reviver a memória de infância e olhá-la com olhar acadêmico de pesquisa faz questionar a própria identidade dos pesquisadores, uma vez que a memória faz parte de um conjunto de elementos que formam a identidade. As experiências de infância são aqui relatadas pelos autores Tiago Souza de Jesus, que veio a ter sua infância na comunidade Rosalina, um bairro negro da zona sul de Fortaleza. E também conta com os relatos de memórias de infância de Emanuela Ferreira Matias, autora e moradora do bairro Conjunto Palmeiras, também localizado na zona sul de Fortaleza, Ceará. Ambos os autores demonstram as múltiplas experiências cotidianas vivenciadas em um contexto marcado pelo racismo [...]” Leia Mais »

Wakanda para sempre: a representação do negro no filme “Pantera Negra”

O negro no cinema por muito tempo foi colocado no papel de coadjuvante, de anti-herói, de personagem secundário. Quando se fala no mundo dos heróis da Marvel, não é difícil perceber a construção desses personagens, já que a maioria dos heróis são homens brancos. Com o estabelecimento da sociedade pós-moderna, contudo, o cinema iniciou uma jornada para o empoderamento negro, com a produção de filmes em que o negro é visto como sujeito, como pessoa que tem uma história, uma tradição e uma religiosidade. Leia Mais »

O uso das plantas no ritual de Jurema Sagrada: identidade, ancestralidade e protagonismo indígena na contemporaneidade

Professor analisa os resultados de projeto sobre o uso das plantas no ritual de Jurema Sagrada e discute como relação entre plantas e ritualística serve como elo entre a ancestralidade indígena e a cultura brasileira atual. Foram as principais plantas utilizadas no tratamento de enfermidades dentro da religiosidade indígena bem como seus usos de forma a reconhecer e valorizar o protagonismo indígena de saberes. Leia Mais »

Análise de discursos jornalísticos sobre os direitos das populações quilombolas

Pesquisador da UNESP nos mostra como o acesso aos direitos sociais por essa população, que constituem a biopolítica contemporânea, é posta em discurso na mídia impressa e sua relação com a retórica da modernidade/colonialidade e as práticas de Necropolítica. Leia Mais »

Reflexões sobre a questão étnico-racial e a cultura afro-brasileira na prova oral do exame CELPE-BRAS

Pesquisa visa contribuir para estudos de português/língua estrangeira com vista a enfatizar a pertinência da diversidade étnico-racial brasileira como parte constituinte no cenário do ensino de Português para Falantes de Outras Línguas (PFOL). Nos resultados constatou-se que, do total de 40, somente em 5 EPs aparecem a questão étnico-racial negra, o que evidencia a maior prevalência da representação de sujeitos do grupo racial branco em detrimento dos negros na prova oral do exame. Leia Mais »

Educação e as relações étnico-raciais como espaços de resistência dentro e fora da escola

O artigo perpassa pela seguinte pergunta: que relações étnicas-raciais tem sido forjada nas lutas e resistência do movimento negro dentro e fora da escola? Leia Mais »

Mestiçagem e agência híbrida antirracista: possibilidades no ensino de História

Neste artigo, discutimos, com base nos estudos pós-coloniais, as formas de agência da população negra no pós-abolição, apresentando a mestiçagem como um espaço-tempo em que diversos sujeitos subverteram as propostas embranquecedoras idealizadas pela elite e se tornaram agentes híbridos na luta antirracista, exemplificados aqui por personagens como o maestro Paulo Silva e Dona Laudelina de Campos Mello. Paralelamente, traçamos a trajetória do ensino de história no Brasil, desde a efervescência das teorias raciais até a implementação da Lei 10.639/03. Leia Mais »

O ensino da diversidade cultural na escola: uma abordagem a luz da legislação educacional

O artigo nos auxilia a refletir diversidade cultural na escola.jpeg sobre a importância de se trabalhar com as diferenças culturais no ambiente escolar, um espaço que há um longo histórico de preconceitos, racismo e violências. A discussão do trabalho remete aos parâmetros e diretrizes curriculares nacionais, a legislação brasileira denotando a importância de trabalhar conteúdos e valorização da cultura nos espaços escolares. Leia Mais »

Diálogos e divergências entre a Lei 10.639 e a BNCC

Pesquisa traz discussões de como a Base Nacional Curricular Comum (2017) e as/os estudantes da educação básica e de licenciaturas analisam a Lei 10.639/03 no currículo escolar. A partir disso levantamos os seguintes questionamentos para direcionar este estudo: A BNCC leva em consideração a Lei 10.639/03? A BNCC localiza a educação para as relações étnico-raciais ou a distribui em todo currículo? Como estudantes da educação básica e licenciaturas observam a aplicação e importância da Lei 10.639/03? Leia Mais »

Educação para as relações étnico-raciais: a lei 10.639/03 e as suas potencialidades no combate ao racismo

Pesquisa afirma que as teorias raciais dos séculos XIX e XX, que contribuíram para a constituição de processos de branqueamento da população brasileira, bem como a contraditória divulgação do pretenso mito da democracia racial, somadas a séculos de regime escravocrata, agiram na desvalorização de elementos associados à população negra. No entanto, salienta que ações contínuas ancoradas na Lei 10.639/03 são capazes de contribuir para um projeto de sociedade mais igualitário para os diversos grupos sociais. Leia Mais »

Lei 10.639/03: breves reflexões sobre os direitos humanos e o combate ao racismo

Pesquisador ressalta que os debates acerca dos direitos humanos devem abarcar, necessariamente, as discussões sobre o racismo e as ferramentas disponíveis para combate-lo, a exemplo da lei 10.639/03, pois, ainda na atualidade, diversos grupos são alijados de seus direitos – incluindo o direito à vida – devido a problemáticas imersas no campo das relações étnico-raciais. Leia Mais »

Formação afrocentrada e descolonização curricular da educação básica: experiências pedagógicas

Este artigo busca perceber a perspectiva da formação docente afrocentrada do curso de pedagogia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e sua contribuição para a descolonização curricular da Educação Básica em 3 instituições escolares localizadas nas cidades de Redenção e Acarape, ambas no Ceará. Leia Mais »

A temática étnico-racial na licenciatura em química: algumas reflexões

O artigo oportuniza reflexões da análise documental que investigou a visibilidade da população negra no projeto pedagógico do curso de Licenciatura em Química do IFES. De acordo com a pesquisa questão étnico-racial é tratada de forma insuficiente na instituição através de ações pontuais, por meio da transversalidade e interdisciplinaridade. A visibilidade da população negra no PPC do ano de 2012 é um hiato, pois o currículo é delineado pela subalternização e negativas das contribuições tecnológicas e científicas do povo negro na história das ciências na educação em geral. Leia Mais »

La revolución continúa: cuestión afro en el contexto cubano.

Segundo pesquisador, a Revolução Cubana marcou o desenvolvimento histórico da América Latina. Este processo tem sido tenso por pressões políticas e sociais, tanto externas quanto internas. Neste contexto, a questão afro sempre foi um nó importante, desde o período colonial, até a revolução atual, onde os círculos acadêmicos, artísticos e literários com raízes afro-cubanas demarcam uma relação tensa com o governo socialista. Leia Mais »

Feijoada para quem aguenta: o legado afro-jequieense de Filhinha

O artigo procura apresentar uma leitura contextual da feijoada a partir de um restaurante tradicional localizado num mercado municipal do interior da Bahia. Após um panorama geral de como essa comida vem sendo pensada, especialmente pelas ciências sociais, buscamos desenvolver a leitura que a produtora dessa feijoada, Zete, realiza sobre seu trabalho enquanto comida caseira e feijoada de verdade, produzida para pessoas que aguentam um prato carregado. Mais do que uma iguaria tipicamente brasileira, o artigo faz uma descrição dessa produção como saber não hegemônico. Leia Mais »

Apartheid: segregação racial na África do Sul

O presente trabalho tem por objetivo analisar o regime de segregação racial na África do Sul, denominado Apartheid, desde sua institucionalização em 1948 até o seu término em 1994. Para tanto, buscou-se compreender o contexto histórico de colonização da África do Sul, por meio dos holandeses e ingleses, e a situação de marginalização imposta aos nativos pelos europeus. Diante da segregação nos diferentes aspectos que lhes era imposta, negros e mestiços, buscaram combater a supremacia europeia por meio de protestos, movimentos, guerrilhas. Nelson Mandela foi um dos mais influentes líderes dos movimentos para superação do Apartheid. Leia Mais »

Terreirizar para descolonizar: racismo epistemológico, samba e os terreiros cariocas

“Em um país multicultural e proporcionalmente racista como o Brasil, é cada vez mais urgente a pesquisa e divulgação das contribuições dos diferentes grupos sociais para nosso mosaico cultural, a fim de atribuir a importância devida a essas contribuições e denunciar as numerosas tentativas sofridas de apagamento ou, pior, embranquecimento. [...] ao abordar o samba, não estamos tratando apenas de um ritmo musical e sim de uma prática cultural complexa, permeada de saberes, de modos de viver e entender o mundo [...]”. Leia Mais »

Mãe preta de filho branco: a metáfora do Brasil escravagista

“Pesquisa explicita a negação da maternidade negra escrava pelo ofício de ama-de-leite, entre as décadas de 1830 e 1880, no Brasil, e revela como seu corpo, seu leite e seus sentimentos foram comercializados e usados em prol do enriquecimento e dos desígnios dos senhores de escravos.” Leia Mais »

Teses internacionais e antíteses africanas: lições das experiências desenvolvimentistas para Moçambique

Pesquisador moçambicano baseado em uma ampla revisão bibliográfica, faz uma análise comparada da trajetória do Estado no Leste Asiático, na América Latina (Brasil) e na África-subsaariana (Moçambique) analisando os argumentos evocados para justificar o êxito dos primeiros, a industrialização do Brasil e a situação crítica de Moçambique. Apesar de existir uma farta literatura sobre o assunto, neste artigo, colocam-se em destaque importantes contribuições de estudiosos africanos. Leia Mais »

Um homem comum: notas sobre Henrique Souza (1913-1990) e seu método de cavaquinho

Trata-se de um recorte de uma pesquisa que enfoca o método de Henrique Souza como uma das contribuições de negros brasileiros que escreveram e publicaram volumes dedicados ao ensino e a aprendizagem do cavaquinho. Uma investigação que reflete sobre a hipótese de que circunstâncias e aspectos diversos, em maior ou menor amplitude, ressoam nas escolhas e elaborações técnicas e especificamente musicais que conformam esse tipo de publicação didático popular. Leia Mais »

Mulheres negras através da história africana e brasileira

Nesse artigo apresentamos uma síntese histórica de mulheres negras iniciando pelo continente africano, passando pela história do escravismo criminoso, entrando no pós-abolição e constituindo uma síntese do contínuo da presença de mulheres negras ao longo de toda história. Leia Mais »

Espaços da negrura: território negro em Belo Horizonte/MG

Em 1995, o Ilé Wopo Olojukan, em Belo Horizonte, foi reconhecido como patrimônio cultural da capital mineira e, analisando as legislações específicas do patrimônio cultural em âmbito nacional e municipal, bem como o dossiê de tombamento do referido terreiro, busca-se compreender os impactos desse reconhecimento para a comunidade, bem como sobre os meios pelos quais a referida comunidade atua na proteção e difusão de suas práticas culturais. Leia Mais »

O pensamento de Guerreiro Ramos sobre relações raciais no Brasil: as contradições de um precursor

O objetivo deste estudo é refletir sobre o pensamento de Guerreiro Ramos, saber quais são os argumentos principais de algumas de suas obras no tocante às relações raciais no Brasil. Os esforços empreendidos em uma releitura do seu pensamento podem evidenciar um intelectual controverso, contraditório, metamórfico e ao mesmo tempo fornece pistas para a compreensão das disputas teóricas no campo da sociologia brasileira dos meados do século XX. Leia Mais »

Religião e raça: interseccionalidades da intolerância religiosa em Rondônia

O racismo e a violência permeiam toda a história da população negra no Brasil, e com seus cultos religiosos não foi diferente. As religiões afro-brasileiras são as mais atingidas por casos de intolerância religiosa, segundo o balanço de discriminação religiosa feito pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH). Apesar disso, Rondônia mostrou várias lacunas ao longo dos anos, com poucos relatos oficiais de intolerância religiosa. Provavelmente existe um apagamento dos episódios de intolerância que praticantes de religiões afro-brasileiras possam sofrer no estado. Leia Mais »

Organização política e resistências plurais: mulheres negras em movimento no município de Fortaleza/CE

Este trabalho é de natureza qualitativa, cujo objetivo central foi analisar o protagonismo feminino e negro nas organizações políticas negras no município de Fortaleza - Ceará, destacando com ênfase às formas organizativas, principais pautas e estratégias políticas no enfrentamento ao racismo e sexismo. Em síntese, verificou-se uma efervescência nas organizações políticas negras, nas quais as mulheres negras, jovens e periféricas tem tecido trajetórias significativas em busca de uma nova civilidade. Leia Mais »